Eu no alto da minha lucidez alcoólica, sentado no gélido banco de praça, meu único e fiel amigo que muitas vezes me serve com leito, continuo a observar a minha bela Fartura e a contemplar suas belezas, pois como diz teu hino “Entre montanhas de um verde sem fim”. Inspirado por esses versos resolvi abandonar meu posto na praça central e caminhar por suas ruas.
Mas se arrependimento matasse. Ai se ele matasse, eu estaria morto e sepultado nesse momento. Só posso dizer que dou graças a Deus por ainda poder usar minhas mãos. Porque meu pé esquerdo esse eu acho que não tem mais concerto, o direito ainda tem alguma mobilidade, mas escassa. Tu isso porque eu me aventurei a passear pelas ruas do tão Lindo Parque das Flores. Sabe eu passeava bem naquele momento do outro verso “Quando a tardinha o sol sumindo estrelas no céu cobrem os filhos teus”, e eu já com minha vista bem prejudicada pela idade e também pelo desgastar da bebida, não percebi e acabei caindo em uma arapuca municipal. Um belo, um lindo e viçoso buraco na avenida das Rosas Sabe... um buraco daqueles de dar inveja em qualquer buraco negro de filme de ficção cientifica. Quando reparei nas condições da rua, imaginei com os meus botões: andei tanto que cheguei na lua. As crateras lunares são idênticas! Se eu ficar quietinho quem sabe até consigo ver São Jorge montado em seu cavalo e o famoso dragão em sua batalha épica e eterna. Quando dei por mim percebi que tudo aquilo era um mero delírio de dor.
Bom não tinha mais nada para eu fazer, então fui manquitolando e saltitando até o outro da rua. Pensei mais uma vez comigo: eu poderia estar distraído, não daí eu morreria atropelado, eu pensei isso aconteceu porque eu escorreguei, na verdade não foi isso. Mas não interessa eu sou apenas um Vagabundo de Praça, agora com um dos membros machucado, alguém igual aqueles buracos que não interessa pra ninguém nem mesmo as autoridades principalmente ao senhor Prefeito que prenunciou em campanha acompanhado pelo ex que daria jeito nos buracos das ruas. Pois é eu tiro chapéu para ele com certeza ele deu jeito nos buracos, que agora são verdadeiras aberturas gigantescas no asfaltamento de Fartura.
Bom sem mais nada pra fazer eu retornei ao meu querido e fiel amigo banco de praça, no qual eu me aconchego e fico deitado apenas padecendo da dor no meu pé esquerdo (Até parece nome de filme), dor causada pela negligência daqueles que tinham que cuidar ao menos das ruas. Dica pessoal, passear pelas ruas de Fartura olhe constantemente para o chão ou leve muletas para poder voltar para casa.
Data Venia, Vagabundo de Praça você é o cara!...Desejo ter a oportunidade de sentar ao vosso lado nesta "magnifica Praça" da Pérola do Vale, aliás pérola inspira limpeza, nas manhãs de sexta a praça dispensa comentários! Uma vergonha! Aliás, buraco em Fartura tem diminuido muito, pois, ficam emendados e tornam-se crateras!Vamos esperar os blocos na nova pavimentação na entrada do divino Parque das Flores, por enquanto é tarefa para o Indiana Jones, acessar aquele bairro! pasmem...
ResponderExcluirCaro amigo Zé da Barranca, muito me inebria teus elogios, tanto que infla meu ego de uma maneira dantesca. Obrigado pela consideração!!! Aproveito para rasgar o véu da intimidade e dizer que também sou fã de tuas escritas, e de suas parábolas que me fazem refletir.
ResponderExcluirGostaria de dizer que, horas atrás ficamos frente a frente, porém não trocamos cumprimentos. Mas gostaria de dizer com todo o prazer “Você” com o perdão da intimidade é mais do que convidado para conhecer meu fiel amigo banco de praça e falar sobre os problemas “Que nos aflige” há verdade que o problema acima mencionado não se trata de dificuldade e sim de uma paixão incondicional pela terra da Fartura. E que você é o cara pois como escravo liberto quebrou os grilhões abriu a porta e nos convidou a ir junto na batalha. Ai caro amigo se não fosse a hipocrisia do homem, você me conheceria.
Me despeço com vontade de ficar e parto deixando contigo minha admiração. E quando quiser saber quem sou te digo com sinceridade, sou a Maria, o José, sou calo na mão do trabalhador, a lágrima da mãe que chora, sou aquele frio na barriga e a euforia e ao mesmo tempo não sou nada sou apenas um Vagabundo de Praça
“Somente vivem a verdade aqueles que lutam por ela”. Somos super-heróis? Quem sabe essa resposta? Mas nossa porção válida está sendo entregue a sociedade.
Abraços de seu amigo Vagabundo de Praça.