Eu no alto da minha lucidez alcoólica, continuo abraçado com meu amigo banco de praça na espera incessante de ser notado por alguém e me pego a olhar para o coreto e a pensar no como seria bom aqui fosse como nos tempos de outrora.
Me pego a contemplar o passado e ouço ao fundo duas mulheres de meia idade falando sobre o absurdo da política do hoje em dia. Como não sou mandatário da vida pública, como já disse em outros dias agora me coloco a todos a ouvidos para aquelas reclamações. Uma delas dizia a todos os pulmões que não acreditava no que ficara sabendo há pouco. Eu curioso me pus com ouvidos de cachorro a prestar ainda mais aplicação. “Como pode não vai haver desfile no feriado de 7 de setembro, isso é um absurdo” , ainda mais abastada de indignação sua companheira falou com tom de tristeza com os olhos marejados “O pior de tudo é saber que essa tradição farturense pode acabar sendo esquecida”
Eu me revoltei e lembrei do meu tempo de educando, quando fazia parte do corpo estudantil do Monsenhor José Trombi, naquele tempo o qual o Chronos não era tão rápido como hoje, as baquetas das fanfarras começavam a ser esquentadas meses antes do grande dia da Independência Brasileira, me recordo com saudade do Lair, agora professor no comando da Batuta, Cebolinha animado a afinar seu instrumento entre outros mais que se dedicavam. O mais impressionante eram os atos cívicos, me lembrei com peso da saudade das alvoradas proporcionadas pelas bandas marciais, nunca vou esquecer o asteamento do tão poderoso Pavilhão Nacional, com suas cores vivas e que me faziam viver mais.
Bom sorte que eu tenho a recordação de tudo isso, sorte que eu posso me dizer privilegiado por viver na época do respeito total a Pátria Mãe. Me sinto infeliz e ingrato com pois onde ficaram os versos “ Dos filhos desse solo és mãe gentil pátria amada Brasil”. Bom não sou o melhor conselheiro, mas algo tenho para ser dito a todos afim de por um fim nessa situação pedregosa “Independência ou Morte”.
Espero que meu grito tenha sido ouvido, “Já que e para o bem de todos e felicidade geral da Nação diga ao povo que fico”, fico abraçado com meu único e fiel amigo banco de praça. Se mal lhe pergunte, qual o Dia da Independência no Japão?