quinta-feira, 30 de junho de 2011

A Dor fica para o mês que Vem

Eu no alto da minha altivez alcoólica, sentado no meu gélido banco de praça, o fiel amigo de todas as horas, eu fico a olhar o contínuo sobe e desce de transeuntes a passar nas portas dos bares e a transitar pelos quiosques quando de repente sinto uma forte pontada no peito. Mas eu não ligo, deve ser ação da idade.
Eu vejo a noite caindo e sinto o frio se aproximando. Com a força da friagem aumenta as minhas pontadas no peito. Passei a noite fria com dores e tomei então a decisão de procurar um médico. Como todo pobre eu procurei o único lugar no qual eu posso ter um atendimento médico digno: o Centro de Saúde de Fartura. Quando lá cheguei me deparei com uma fila imensurável, tão grande que no final dela estava escrito “Se você tem mais de 65 anos desista”. Mas sou brasileiro e minha peleja já começou quando nasci. Então entrei na dita e após umas três horas de espera debaixo de sol, fui recepcionado por duas pessoas muito simpáticas. Eu fui logo dizendo qual era o meu problema e das dores que sentia e eles compadecidos com o mal que me afligia disseram “Não há Vagas” somente para o Mês Que Vêm. Como somente para o mês que vem? Será que eu agüento até o mês que vem? Será que mês que vem eu consigo a tal vaga? Não sei mesmo.
Sem ter muito que fazer eu volto para o meu lar, a Praça 9 de Julho, onde fica meu leito, meu aconchego, meu fiel amigo banco de praça. Mas as dores pioram e não sei mais o que fazer, nem onde ir, não tenho remédio.  Me aconchego no banco que, apesar de ser muito frio é o único que me esquenta; quando de repente mais do que de repente meus sentidos começam a se esvair, o sono chega e me acalento nos braços de Morpheu, com um último pensamento aqui se vai o Vagabundo de Praça. Após algumas horas percebo  algo me incomodando, uma claridade muito forte no meu rosto, ao abrir os olhos percebo a chegada de um novo dia. O sol já raiou e ainda estou vivo será que é milagre? Não sei responder somente sei que a dor passou e continuo existindo. Acho que só sobrevivi por que tenho uma vaga marcada para o mês que vem, pois compromisso é compromisso, quem sabe o médico explica o porquê de eu ter sobrevivido.
Eu pensei comigo e com meus botões, não sou tão diferente daqueles que me cercam, todos ficam doentes, todos precisam de ajuda e todos tem que esperar vaga para o mês que vem. São diferentes de todos aqueles que têm um pouco a mais de dinheiro para pagar consultas particulares. Não me lembro onde eu li que todo CIDADÃO TEM DIREITO A ATENDIMENTO DE SAÚDE DIGNO. Deixa pra lá, eu que sou um Vagabundo de Praça vou me preocupar?  Nem os mandatários da vida política farturense se preocupam... Tenho outro objetivo nesse momento: conseguir uma xícara de café para esquentar meu peito que outrora doía. Dica pessoal não tenha dores e se as tiver, não sei o que fazer. O que nos falta não é qualidade médica e sim mais médicos para atender a população. Não sou eu quem diz é o Senso o Bom Senso.                    

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Com o pé em um dos buracos.

Eu no alto da minha lucidez alcoólica, sentado no gélido banco de praça,  meu único e fiel amigo que muitas vezes me serve com leito, continuo a observar a minha bela Fartura e a contemplar suas belezas, pois como diz teu hino “Entre montanhas de um verde sem fim”. Inspirado por esses versos resolvi abandonar meu posto na praça central e caminhar por suas ruas.
Mas se arrependimento matasse. Ai se ele matasse, eu estaria morto e sepultado nesse momento. Só posso dizer que dou graças a Deus por ainda poder usar minhas mãos. Porque meu pé esquerdo esse eu acho que não tem mais concerto, o direito ainda tem alguma mobilidade,  mas escassa. Tu isso porque eu me aventurei a passear pelas ruas do tão Lindo Parque das Flores.  Sabe eu passeava bem naquele momento do outro verso “Quando a tardinha o sol sumindo estrelas no céu cobrem os filhos teus”, e eu já com minha vista bem prejudicada pela idade e também pelo desgastar da bebida, não percebi e acabei  caindo em uma arapuca municipal. Um belo, um lindo e viçoso buraco na avenida das Rosas Sabe... um buraco daqueles de dar inveja em qualquer buraco negro de filme de ficção cientifica. Quando reparei nas condições da rua, imaginei com os meus botões: andei tanto que cheguei na lua. As crateras lunares são idênticas! Se eu ficar quietinho quem sabe até consigo ver São Jorge montado em seu cavalo e o famoso dragão em sua batalha épica e eterna. Quando dei por mim percebi que tudo aquilo era um mero delírio de dor.
Bom não tinha mais nada para eu fazer, então fui manquitolando e saltitando até o outro da rua. Pensei mais uma vez comigo: eu poderia estar distraído, não daí eu morreria atropelado, eu pensei isso aconteceu porque eu escorreguei, na verdade não foi isso. Mas não interessa eu sou apenas um Vagabundo de Praça, agora com um dos membros machucado, alguém igual aqueles buracos que não interessa pra ninguém nem mesmo as autoridades principalmente ao senhor Prefeito que prenunciou em campanha acompanhado pelo ex que daria jeito nos buracos das ruas. Pois é eu tiro chapéu para ele com certeza ele deu jeito nos buracos, que agora são verdadeiras aberturas gigantescas no asfaltamento de Fartura.
Bom sem mais nada pra fazer eu retornei ao meu querido e fiel amigo banco de praça, no qual eu me aconchego e fico deitado apenas padecendo da dor no meu pé esquerdo (Até parece nome de filme), dor causada pela negligência daqueles que tinham que cuidar ao menos das ruas. Dica pessoal, passear pelas ruas de Fartura olhe constantemente para o chão ou leve muletas para poder voltar para casa.     

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Fumando no papel da pesquisa


Eu no alto da minha altivez alcoólica sentado no gélido banco da praça central da minha cidade da Fartura, como de costume observo o termômetro do painel giratório da Praça Central, que me acolhe e serve como lar, vejo também o vai e vem das pessoas que entram nos bancos, tão apressadas que tropeçam em seus próprios pés.
De repente me vem uma vontade louca de fumar, bato a mão nos bolsos à procura do meu constante amigo, pacote de fumo, o qual me serve para esquecer minha vida alcoólica, meus erros da cidadania mal vivida. Quando me deparo com o dilema, não tenho papel para enrolar o fumo, algo desvirtuou toda minha vontade de consumir um pouco mais de doenças pulmonares. Desesperado começo a olhar para o chão a procura de algum por mais pequenino que seja pedaço de papel, mas nada a meu redor, porém sou insistente e vou mais longe a procura do tão sonhado papelzinho. Pois também sou filho de Deus e mereço dar minha fumadinha.
Quando vejo uma pessoa, que passa ao meu lado e me ignora, nada fora da normalidade, quando percebo que ele ao rir tinha em suas mãos um pedaço de papel. Naquele momento meu maior sonho de consumo, pois a vontade de fumar meu cigarrinho era muito maior do que eu. Então o sorridente homem amassou o papel e jogou no chão, então mais rápido possível eu o peguei. Mas a curiosidade me tomou de assalto e eu precisa ver o que tinha de tão cômico registrado naquele impresso, quando vi, ai meu Deus, minha primeira vontade não foi de rir, mas sim de chorar. Uma vontade tão grande, que até pensei duas vezes em fazer, pois eu como Vagabundo de Praça, não tenho em quem me alentar.
O tão desejado papel que me serviria para envolver meu fumo trazia em seu conteúdo o dizer Moacir Domingues Filho (Juninho) o vereador mais atuante de Fartura, deixando para trás até mesmo seus companheiros de bancada da “situasim” (situação). Então parei e pensei profundamente mais uma vez com minha memória atual e me indagai. Como pode um representante do legislativo, um edil que nunca se quer abriu a boca durante as sessões de Câmara e nem fez nada para a população, pode ser o mais atuante? Atuante? Como assim atuante? Desde quando o figurante recebe o Oscar de melhora ator? Agora sei o porquê aquele homem ria. Seria cômico se não fosse trágico. Sem pestanejar peguei o papel e enrolei o fumo que estava no saquinho e queimei e traguei com tanto gosto que meu peito parecia que ia explodir e repentinamente comecei a rir e me dei conta do prazer que aquele desgostoso papel estava me dando, e como foi bom, pelo menos serviu para dar prazer de alguma forma para alguém.
Mas fazer o que eu sou apenas um vadio sentado no banco da praça, meu único e fiel amigo, na procura de respostas para coisas mais simples da vida uma delas é a “A senhora pesquisa”. Sou Vagabundo de Praça e não Idiota de Praça. Uma dica para ser bem sucedido na vida, basta ser mudo e ter um parente influenciável de preferência ex-prefeito.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Recordações\ Dança das Cadeiras

Eu no alto da minha altivez alcoólica sentado no gélido banco da praça central da minha cidade quem em seus tempos áureos recebia o glorioso nome de Fartura, costumo observar a vivência das pessoas, os cães a passear, os carros que se acumulam as minhas redondezas e até mesmo as discussões políticas de boca em boca entre cidadãos.
Nessa carreira de vadio, porém observista eu ouço as pessoas comentarem sobre o amanhã político de meu município, e diretamente de minha memória atual voltou à fatídica campanha para prefeito e vereadores, na qual três candidatos prefeitáveis. Recordei-me então do pequeno Napoleão Republicano, anteriormente direitista agora esquerdista fanático, que esbraveja em cima do palanque na tentativa inerte de acordar o povo quanto tudo de errado na gestão anterior do então declarado Democrata (Demo), o qual desfrutou oito anos da cargo mais alto da cidade e jurou fidelidade a seu candidato, o descendente nipônico ingrato, dono de uma diferença de 36 votos, ficando assim com a cadeira tão disputada, desaninhando o velho Tucano mais uma vez na disputa perdida, porém de bico erguido.
Hoje vejo a história se repetir com uma fútil Dança das Cadeiras na qual “oposinão” (Oposição) luta pelo não e a situacim (Situação) pelo sim. Qual a diferença entre nove e onze, não sei explicar somente ouço a população falar que mais prejudica e mais favorece, outros falando menos favorece e menos prejudica. Só sei dizer que quem choca seus mandatos nas cadeiras do legislativo quer ver sua cria saudável. No ano que vem, (Ano POLÍTICO) quem procura seu ninho vai com sede ao pote, sendo ele de outra pessoa ou sendo até mesmo desvirginado por si próprio. Mas se essa mudança prejudicará ou se ela beneficiará só a experiência poderá afirmar.
Bom então me despeço e continuo abraçado com meu gélido fiel amigo, na busca de entender algo visto além de minha altivez alcoólica.
Eu não falhei 3.598.749 vezes. Apenas descobri várias maneiras de não se fazer uma Lâmpada (Thomas Edson).