segunda-feira, 25 de julho de 2011

Comarca Evolutiva

Eu no alto da minha lucidez alcoólica sentado no fiel banco da praça central, para mim a casa 9 de julho, continuo a observar o andar das pessoas e também as mudanças das estações, em uma procura fútil de respostas para minhas incógnitas populares.
Com um pouco de vontade de esquecer minha vida sofrida, levo à boca mais uma tragada do cancerígeno cigarro, em seguida uma talagada profunda na garrafa de cachaça, com o mesmo prazer com o qual eu beijaria minha amante. Me aconchego no banco e tomado pelo sono viajo em meus pensamento e começo a me lembrar do meu longínquo passado e me vem a figura das figuras de outrora entre elas o já saudoso goleiro do Fartura Esporte Clube, o Choca, do grande zagueiro Trovão entre outros, me lembro ainda das conversas daquele tempo, tempo em que a atual Taguaí, era conhecida como Ribeirópolis.
Me lembro como se fosse hoje, em uma das conversas após o futebol do domingo de manhã, alguém comentando que Fartura se tornaria Comarca, e tudo iria mudar. Recordo da euforia de todos, principalmente dos comerciantes e dos líderes políticos da época, que diziam que nossa cidade iria crescer de maneira exponencial e como a locomotiva nos trilhos, nada a pararia. Eu pensei e a pequena Ribeiropolis, qual será seu destino? Alguém falou com a voz firme: ela será distrito. No outro dia coloquei minha melhor roupa e fui trabalhar com muito ânimo, pois agora eu vivia em uma comarca que iria evoluir muito. Mas ainda tinha comigo como ficaria a pequena Ribeiropolis?
Como o ser humano é prepotente, agora muitos anos depois eu vejo como estávamos errados. Fartura se tornou comarca e evoluiu muito pouco, muito pouco mesmo perto da ex-Ribeiropolis, agora Taguaí, que nos ensina como empregar seus filhos naturais e até mesmo adotivos, com uma administração forte que não se perdeu no tempo. Me arrisco a dizer que até mesmo o cristianismo cresceu de maneira mais firme do que aqui na minha terra.
Porém fazer o que? As coisas são assim. Sinto o frio do meu banco e torço para os pensamentos me abandonarem e começo a adormecer...  matutando, será que escolhemos tão mal nossas lideranças, ou nossas lideranças foram disperças com os acontecimentos evolutivos a nossa volta? Rezo e peço pra Deus que ao acordar esteja de volta aos tempos áureos.                           

terça-feira, 12 de julho de 2011

Herança maldita

Eu no alto da minha lucidez alcoólica sentado no meu querido e fiel amigo banco de praça me pego a admirar as pessoas que passam pelas calçadas desviando uma das outras no ritmo frenético do capitalismo, herança do Tio Sam, que já chegou até mesmo em minha bela Fartura.
Minha memória começa a funcionar de maneira impaciente e me lembro que minha única herança deixada pela sociedade do “Time is money”, meu banco de concreto na praça 9 de julho. Penso mais uma vez e concluo que  poderia ser pior, eu poderia ser herdeiro de uma linda administração pública semi-falida, assim como o descendente nipônico, Paulo Amamura, legado do ex-prefeito Democrata. Quem sou eu para julgar os erros do passado de qualquer pessoa, mas como não estou julgando muito menos estimando, me pego a relembrar das peripécias financeiras do ex Zé.
Com uma enorme vontade de esquecer eu levo à minha boca um gole da água-ardente, mas a lembrança por motivo desconhecido insiste e persiste em ficar, quando me vem à mente fatos corriqueiros da antiga administração, a pouco dada por mim como Herança Maldita do nipo-descendente. Uma delas que bate muito forte em minha cabeça é aquela verba submergida do antigo banco do Banespa, mas como sou péssimo em valores não me recordo dos quantos mil eram, ou do valor da creche escola nunca aprontada, ou até mesmo da Construtora responsável por asfalto farinha, ou de obras interminadas ou até mesmo de rotatórias inúteis e sem falar do vereador elevador. As vezes tenho saudade de Juscelino Kubitschek, pois ele poderia fazer Fartura evoluir 80 anos em oito, nos oito perdidos.
As vezes me sinto herói outras me sinto o carrasco, hoje me sinto diferente de todos, pois eu julguei algumas vezes o atual administrador da linda Fartura, o herdeiro das coisas erradas que agora luta ferrenhamente para exorcizar os fantasma da administração anterior, conseguindo com o pouco que lhe restou, ainda fazer alguma coisa. Não estou tecendo elogios ao chefe do executivo, mas estou mostrando que a herança, o legado é aquilo que nos sobra, podendo nos fortalecer ou fazer perecer, mas como eu sempre digo não sou um mandatário da vida política municipal, todavia sou um expectador... Enquanto isso curto minha herança: o fiel banco de praça. Dica pessoal pense e bata antes de entrar, após entrar sofra as consequências e faça de um tudo para mudá-las a seu favor.