quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Quero o comodato do meu banquinho

Eu no alto da minha altivez alcoólica, continuo a observar os transeuntes nas calçadas e também os garis com seu interminável varrer das ruas da minha cidade da Fartura.
Não tendo em que pensar, nem o que filosofar, me lembro que tenho um rádio guardado no meio da minha trouxa de roupa (nossa como está frio nessa quarta-feira), pego o meu rádiomotor e sintonizo na rádio. Já passam das 20 horas e o frio encosta cada vez mais em meus ossos  mas fazer o que, meu abrigo ainda continua sendo o mesmo:  o banco da praça 9 julho. Quando ouço o presidente da Câmara dizendo boa noite, (e como sou solitário, respondo sem pestanejar) começo  a ouvir a sessão camararia.
No decorrer das discussões e apresentações continuo atento a fim de saber o futuro de minha cidade, mas nada do que foi dito me desperta tanto interesse. Me lembrei de uma sessão na qual foi colocada em pauta o comodato de um terreno no distrito industrial para uma grande empresa de transporte de Fartura, e na minha modéstia pensei em pedir o comodato do meu fiel amigo o banco de praça, pois ele me serve como lar já há alguns anos. Minha carta seria mais ou menos assim:  Senhor presidente, venho através dessa missiva solicitar se possível for para meu uso pessoal o banco de praça localizado na Praça 9 de Julho, objeto o qual eu uso como casa, cama e até mesmo como conselheiro. Meus motivos para realizar esse pedido é muito coerente, pois o senhor não sabe o que é ser desabrigado todas as noites de quinta-feira, devido a Feira da Lua, quando sou escorraçado pelo segurança, nas sextas-feira o meu drama também é grande sem contar os sábados e domingos, dia de chuva eu tenho que me deslocar do banco de praça para debaixo da marquise dos bancos. Mas apesar de tudo isso adoro o lugar onde moro. Agradeço a sua compreensão e estimo meus protestos de estima e elevada consideração ASS: Vagabundo de Praça.
Mas me lembrei também que o comodato recebeu pedido de vistas e sumiu, não sei se foi por obra do Rudni ou por bom senso de alguém, mas estou vivendo a minha vida. Algumas pessoas devem estar pensando onde esse cara arrumou um rádio? Onde ele ligou? E como ele sabia escrever essa carta de comodato? A reposta é tão simples, que nem eu sei.     

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